À minha terra
Ai, se eu pudesse e soubesse cantar-te,
cantaria a verdura dos teus campos,
cantaria a tua paisagem de encantos
que cega meus olhos de tanto mirar-te.
Cantaria, sem conta, todos os dias passados,
já embebido pela força da tua natureza,
debruçado sobre os penedos amontoados
que servem de suporte a tanta beleza!
Cantaria as tuas fontes e a água
que corre pelos riachos de trato pobre,
gritando a sua cólera, com mágoa,
em protesto à poluição que os cobre.
Cantaria o ar puro, tonificante,
que a tua gente pela manhã recebia,
mas que vi acabar num instante
tomando seu lugar a poluição da Siderurgia!…
Ai, se eu pudesse e soubesse, cantar-te
cantaria o teu passado tão puro,
cantaria a Deus para abençoar-te
na esperança dum risonho futuro!
Alvarinho Sampaio
Agosto, 2007