1974: COMANDOS DEFENDEM O NOME
E A BANDEIRA DE PORTUGAL
«Morreremos em defesa da Pátria e da nossa Bandeira nem que para isso tenhamos que desobeder às ordens superiores e desmascarar aqueles que desmembraram o nosso querido Portugal!» – assim o disseram e fizeram alguns «comandos» «escravizados» ao compromisso de honra assumido aquando o seu juramento de fidelidade para com a sua pátria.
AS MENTIRAS DE VÍTOR CRESPO
Outubro, dia 21, do ano 1974. A meio da tarde, em plena baixa de Lourenço Marques, há tiroteio entre comandos do exército português e elementos da Frelimo. Motivo: bandeira portuguesa arrastada, pisada e incendiada à vista de alguns soldados portugueses que não aceitaram o insulto que os soldados andrajosos e estrangeiros – ao serviço da Frelimo – faziam a Portugal.
Alguns elementos de uma companhia de comandos do exército português não gostaram do ultraje e desataram à lambada aos maltrapilhas e mal cheirosos «soldados» da Frelimo, acabando por se envolverem em violentos combates que originaram a morte a centenas de lourençomarquinos.
Vítor Crespo, para justificar a sua incompetência perante os seus «patrões» sediados em Portugal e tentando mentir ao povo moçambicano divulga o seguinte comunicado:
«Esses comandos reaccionários já foram presos. As Forças Armadas Portuguesas tomaram imediatamente as medidas necessárias para neutralizar este bando de drogados. Já se procedeu à evacuação de Lourenço Marques para Portugal desse grupo de insurrectos».
Vítor Crespo, o alto-comissário, anuncia também que a calma tinha regressado à cidade e que os mortos eram poucos. Contudo, quando Joaquim Chissano – representante da Frelimo – falava, os mortos eram às centenas e os feridos ascendiam os milhares. Nem a calma tinha regressado a Lourenço Marques nem os jovens Comandos Portugueses tinham sido presos e enviados para Portugal!
Porém, o tal bando de drogados — como o alto comissário Vítor Crespo apelidava os garbosos militares que defenderam o bom nome de Portugal e a sua Bandeira — continuavam em África e, mais um vez, Vítor Crespo mentiu aos portugueses, aos moçambicanos, ao mundo!…
Muitos desses comandos refugiaram-se, com armas e bagagens, na cidade da Beira e daqui «saltaram» para a Rodésia e África do Sul, onde integraram, as forças armadas dos respectivos países!
Dias depois, contrariando o comunicado de Vítor Crespo, circulavam mandatos de captura — assinados pelo general Costa Gomes — contra os briosos comandos que só cumpriram com a promessa feita em dia de juramento de bandeira: Defender a Bandeira de Portugal contra tudo e contra todos!
Testemunhas oculares, que aterrorizados se deram ao cuidado de ir ao hospital Miguel Bombarda, em Lourenço Marques, encontraram montões de mortos, e souberam de milhares de feridos. A imprensa internacional noticiou que as vítimas somavam milhares.
O incidente começou na baixa citadina, por motivo tão fútil… Todavia, a tensão em que todos viviam explodiu e desdobrou-se depois pelos subúrbios, na mais sangrenta chacina que até hoje, mesmo em tempo de guerras tribais, Moçambique havia vivido.
Descrever casos que chegaram ao meu conhecimento, seria não mais parar neste relato de dramáticos parágrafos.
Mulheres europeias foram violadas, brancos trucidados, e a cabeça de crianças serviram, até, de bola de futebol. Selvajaria pura incentivada pelos famigerados «democratas» e vendilhões que entregaram Moçambique. Machimbombos (autocarros) e automóveis foram incendiados com os seus ocupantes brancos no interior; casas saqueadas e incendiadas… — tudo isto aconteceu em nome da democrática entrega de um país aos homens que, à exclusiva custa de sangue inocente, haviam congeminado dele apossar-se.
Autênticas hordas de negros marcharam sobre a cidade indefesa — os militares portugueses já só olhavam impávidos e serenos o desenrolar dos acontecimentos, obedecendo às ordens de Lisboa — apenas parando quando extenuados ou saciados dos crimes brutais e impunes. Dos crimes que a Frelimo apoiou e transformou, o banditismo dos seus militantes, em actos heróicos!…
E o Mundo calou-se. Portugal, a ONU, a OUA e outras instituições congéneres consideraram lógico tudo quanto aconteceu, embrulhando-se no habitual mutismo de irresponsabilidade.
Às cinco horas da tarde do dia 22 de Outubro de 1974, Lourenço Marques — cidade que cresceu sobre o pântano, rescendia a morte e sangue nessa tarde morna — estava lavada em lágrimas, embrulhada em pavor e luto.
Nesse dia foi a cidade — cúpula da obra dos portugueses realizada ao longo de cinco séculos — entregue como «prenda de ‘casamento’» ao mais sanguinário e menos capaz dos seus partidos políticos: à FRELIMO sob a liderança de Samora Machel – um ex-enfermeiro auxiliar no Hospital Miguel Bombarda, em Lourenço Marques que se tornou terrorista, ao serviço dos «patrões», depois de ter «chumbado» no exame para a sua promoção a enfermeiro.
Foi a um homem desta estirpe que os «vendilhões» de Portugal entregaram Moçambique!… Mas um dia virá em que a história será justa e os condenará!
Alvarinho Sampaio – Pretória, Novembro, 1974
P.S. – Se entende que este artigo merece o seu comentário, sinta-se livre e à vontade para o fazer. Aliás, seja qual for a sua opinião, ela servirá para eu aprender mais e mais!…
Meu caro conterranio eu tambem vivi esse dia de setembro,residia no Bairro do Infulene,mas nesse dia 7 a tarde estava no Bairro do jardim foi maior barbari que vi na vida,mas o pior foi a matança do Bairro do Infulene,tive que pegar na minha G3 i ir sucorrer algumas pessoas a estrada que ia para a matola.Eu nessa epoca era GUARDA FISCAL em Loureço Marques
Sr.Moreira o meu pai tmb era guarda fiscal e pelo q ele me diz morava mesmo ao seu lado no bairro do infulene.
era o sr.Jorge Sao Pedro
deixo-lhe aqui o meu contacto
sao_pedro@portugalmail.pt
admiro, a historia a disciplina , o profissionalismo desses homens fieis a sua patria , são modelo anos depois para outros.
Os apoio, sou 1 ten de policia militar no estado do RGR, Brasil
franklin
Amigao
Nesse dia, eu estava na baixa, em frente ao edificio nauticus (perto dos correios)… e vi quando tudo comecou.
Ainda hoje, tem a perfuracao do tiro, no caixilho da loja que fica em frente aos correios. Todas as vezes que volto a Maputo (5 desde que de la sai), visito o furo da bala…e as saudades da amata terrinha ficam apenas na memoria.
Tem um ditado legal… RECORDACOES DE BANQUETES NAO …MATAM A FOME!!!!!!!!1
Dessa maneira, vou vivendo… na doce lembranca preterita.
Abracao
Há que manter viva a memória desse dia. Parabéns!