Opinião
OS DIREITOS E OS DEVERES
DE CADA UM
Nunca é demais expor a filosofia subjacente à Declaração dos Direitos do Homem e também aos Deveres de cada um. No nosso país, onde só se «pensa» liberdade e segurança e onde todos os homens «nascem» livres e iguais, ainda existem aqueles que vivem presos à esperança de um dia serem tratados com dignidade e sentirem-se bafejados pelo calor fraterno e solidário. Entre esses «presos» contam-se os deficientes e os idosos desamparados e excluídos por uma sociedade cada vez mais avarenta, mais egoísta e tantas vezes «exploradora» da simplicidade e humildade dos justos!
Neste maravilhoso país, à beira-mar plantado e onde todos os «homens nascem livres», continuamos a assistir à propagação incontrolável do egoísmo e da falta de respeito humano; continuamos a assistir, passivamente, a uma crescente onda de crimes da mais variada índole; continuamos a assistir, de forma até comprometedora, à decadência familiar e ao subsequente abandono de inocentes crianças; continuamos a assistir a um elevado número de mortes nas nossas estradas devido à falta de civismo de uns e à imperdoável incompetência de outros; continuamos, enfim, a assistir, de olhos vendados, ao desmoronar dos bons princípios que nos foram legados e que era uma das virtudes do nosso povo até um certo período da nossa História..
Nestas circunstâncias encontramo-nos perante um gravíssimo atropelo aos direitos do homem sob o beneplácito dos políticos que parece «fecharem os olhos» numa atitude incompreendida e de verdadeira anuência.
E porque cada um tem o direito de viver livre e de escolher livremente os seus amigos; porque cada um tem o direito de possuir coisas e ninguém tem o direito de tirá-las ou mesmo invejá-las; porque cada um tem deveres a cumprir para com as outras pessoas; e porque cada um tem o direito e o dever de deixar viver em paz, torna-se necessário lutar pela criação de uma sociedade mais fraterna, mais pacífica, mais solidária. Por isso, é imperativo exigir das autoridades o reforço de sistemas que garantam a vivência de todos em verdadeira liberdade, fraternidade e solidariedade.
Por tudo isso e para que o nosso povo reconquiste os bons princípios morais que já se tiveram mas que se perderam com a liberdade alcançada desenfreadamente e para que as próximas gerações tenham uma formação moral mais cívica e mais respeitadora, torna-se também imperativo exigir dos responsáveis políticos uma reflexão mais atenta sobre os problemas do país e a consciência de que o seu trabalho é dar prioridade àquilo para que foram eleitos: defender e zelar pelos interesses daqueles que os elegeram.
E daqui, desta pequena parcela de uma terra «onde ainda vale a pena viver», lanço um grito de alerta (comparável ao grito do Ipiranga) para que os senhores políticos façam introduzir no currículo escolar básico duas disciplinas fundamentais: Direitos e Deveres do Homem e Educação Rodoviária para que o amanhã seja de todos e igual para todos!…
Alvarinho Sampaio, Março, 2005