Recordando…
AINDA O «EUROPEU DE FUTEBOL»
Futebol é a bola que rodopia e rola de pé em pé ou do pé para a mão – mas sem que o homem do apito veja ou… faça «vista grossa» por conveniência, claro!… Porém, logo que se detecta essa «falta de visão» do árbitro, ouve-se o «Zé Pagode» dizer que no futebol existem os «tais» compromissos assumidos e silenciosos que servem de troca a muitos outros favorzinhos de circunstância!….
Em 2004 aconteceu, pela primeira vez em Portugal, o Campeonato Europeu de Futebol. Foi euforia desmedida aquela a que assistimos. Gastaram-se milhões e mais milhões de Euros – fora as derrapagens, claro… – na construção de estádios, acessos aos mesmos e não só!… Gastou-se aquilo que tínhamos e muito daquilo que não possuíamos. Por causa do futebol – o tal «ópio do povo» –, adiou-se, com certeza, a solução dos problemas relacionados com a Justiça, a Segurança, a Saúde, o Ensino e, lamentavelmente, descuramos o verdadeiro apoio, humano e desinteressado, aos idosos que vivem neste maravilhoso país à beira-mar plantado!
Deixamos para trás projectos de vital importância para o desenvovimento sócio-cultural do país e continuamos a pagar o maldito «défice» que é amortizado, a passo de caracol e à custa de enormes sacrifícios! Mas… será que toda a gente do futebol é chamada a «contribuir» para o equilíbrio do famigerado «défice»?
Em 2004, os «conselheiros» e uns tantos «nacionalistas» imploraram aos portugueses para «içar» a Bandeira de Portugal nas janelas, varandas ou chaminés!… Deveria, enfim, ser içada em todo o lado onde fosse visível o tremular da bandeira verde e rubra.
«É lindo! É uma verdadeira demonstração de nacionalismo!…» – diziam então alguns dos nossos governantes, sem manifestar o seu desagrado pelo grande vexame a que estava a ser exposta a respeitável identidade dos portugueses!
Mas… foi muito lindo! Foi, de facto, muito bonito o desfraldar do «nacionalismo bacoco» com sotaque brasileiro!…
Porém, e apesar da sua passividade, o povo sabe que a intenção que movia e continua a mover o interesse dos tais «nacionalistas», que dizem «ensinar»(?) duas dúzias de «craques» a dar pontapés na bola, não é o «patriotismo» mas sim, o oportunismo que sabem encontrar no chauvinismo que o futebol abraça e que lhes «rende» num dia, aquilo que a maioria dos portugueses não arrecada num ano de árduo trabalho!…
Ao tempo, muitos milhões de bandeiras foram desfraldadas ao vento. Umas bem feitas. Outras, sem qualquer qualidade, apresentaram-se com os castelos transformados em «cómicos pagodes chineses». Mas… com castelos portugueses ou com os pagodes chineses todas foram içadas ou amarradas num qualquer lugar sem qualquer dignidade e à vontade de cada um!…
Oh! se pudessemos e soubessemos içar, também, a «bandeira da fome» ou a da «crise social» que alastra assustadoramente em Portugal!… E como seria bom se o fizessemos e conseguíssemos, com isso, alertar os nossos governantes para os problemas da fome e da miséria que proliferam entre muitos milhões de portugueses de todos escalões etários!
Depois de terminada a operação «Euro 2004» – e com o afastamento da equipa das quinas do «Euro 2008» –, continuamos a ver, por este país fora, as bandeiras sujas, esfarrapadas e sem cor, tremulando ao vento nos telhados, nas janelas, nas varandas, nas árvores!… São esses panos sujos e esfarrapados que, para além de dar dos portugueses a imagem de atrasados, se transformam nos Pedaços do meu País que aqui eu canto:
Que país é este, meu Deus?…
Onde as bandeirinhas sujas, esfarrapadas,
Continuam tremulando nos telhados,
Nas varandas e nas janelas, penduradas,
Dando a imagem dum país de atrasados!…
Que país é este, meu Deus?…
Onde gente inculta e sem maneiras,
Não respeita os símbolos portugueses
E troca os castelos das Bandeiras
Pelos «alegres» pagodes chineses!…
Que país é este, meu Deus?…
Onde a cultura, árida e decadente,
Continua deprimida pelo país inteiro,
Onde se «insulta» a bandeira num repente,
Seguindo o conselho do brasileiro!…
Que país é este, meu Deus?…
Onde os «nossos» querem ganhar a todos
Num jogo de bola, de finta perneta;
Onde não se chuta, mas à vaidade a rodos,
Dando «alegrias» aos chauvinistas de treta!…
Que país é este, meu Deus?…
Onde continuam a tremular os farrapinhos
E se alimenta o futebol com milhões
Deixando morrer à fome os pobrezinhos
Que vivem com reformas de tostões!…
Que país é este, meu Deus?…
Onde já não se ouve a Tua trombeta
E os políticos, ávidos de enriquecimento,
Deixam cair Portugal na sarjeta
E empurram o povo para o sofrimento!…
Que país é este, meu Deus?…
Onde se fecham as maternidades,
Retira-se qualidade aos Centros de Saúde,
E deixam-se nascer crianças nas ambulâncias
Estacionadas à beira dum talude!…
Que país é este, meu Deus?…
Onde as manifestações de professores
Reprovam um governo sem tino
Que quer destruir os bons valores
Impondo nas escolas um mau ensino!…
Que país é este, meu Deus?…
Onde os números não escondem
O descalabro da miséria nacional,
E onde os políticos desmentem
O aumento da crise social!…
Mas… é esta a Pátria que amamos!…
E onde as bandeiras do político fedelho
Disfarçam a crise do «Zé» nacional
Cobrindo de tons verde e vermelho
A miséria que reina em Portugal!…
Alvarinho Sampaio, Julho de 2008
MUITO BONITO, GOSTEI DEMAIS. SOU COLEGA DA ANGELA NO CURSO DE TEOLOGIA E ELA DEU-ME O VOSSO BLOG.AINDA NÃO CONSEGUI LER E VER TUDO, MAS PELO POUCO QUE JÁ LI, O SENHOR É UM POETA E SONHADOR….A VIDA PARA SI TEM MAIS ENCANTO APESAR DAS DECEPSÕES, NUNCA DEIXE FUGIR A SUA SENSIBILIDADE, PODE AJUDAR OUTROS A VER MAIS LONGE……..
MUITOS PARABÉNS E MUITAS FELICIDADES.
M José