O NATAL
É DE TODOS
É Natal. É tempo de montar o presépio e «cumprir» antigas tradições. É tempo de luzes multicores a iluminar casas e jardins. É tempo de enfeitar os pinheirinhos. É tempo de rabanadas, aletria, bolo-rei e de outras guloseimas que só nesta época têm outro sabor e sabem muito melhor!… É tempo de reflectirmos. É tempo de falarmos de paz e de amor!… É tempo de dar!… Mas.. dar com amor!…
Porém, é incompreensível que só nesta quadra o desejo de paz nos apoquente como uma obsessão que termina, temporariamente, com todas as «circunstâncias absurdas» que durante um ano dominaram as nossas vidas.
Mas… tudo é compreensível!… Até mesmo aqueles capazes de examinar friamente, e numa dimensão mais ou menos geral, os ingentes conflitos que diariamente se repetem, não hão-de sorrir às conclusões e à «verdade contemplada» que a vida, dia-a-dia nos proporciona.
Porém, tais inquietações e pessimismos não podem ser definitivos, se pensarmos que, já antigamente, em certo período da história, o povo os teve, e bem demolidores!
Contudo, para vencermos tais inquietações, temos de pôr em prática uma tarefa dura: a Arte da Vontade! E quadra propícia para pensar nela, é a quadra de Natal! Essa Vontade, aclamada neste Natal – apesar dos augúrios anunciados –, há-de levar-nos, com certeza, a pensar que ainda há motivos para esperança e com o auxílio dessa Arte da Vontade, poderemos considerar que a história não tem caminhos determinados mas sim atalhos desconhecidos ao longo dos quais, se pode destruir as maiores vontades e os melhores propósitos mas pode também, pelo contrário, dar-lhes um lugar activo no fluir da esperança de mudança.
Será ainda essa Vontade (a tal recusa de fugir perante a vida) a fazer-nos cientes de que temos uma liberdade, a qual é incompatível com a noção comum de destino, ou sorte. Mas a sorte é pouco mais que uma palavra que governa uma ínfima parte do que nos acontece; a outra parte – a tal Vontade de vencer e de derrubar tudo aquilo que nos apoquenta – é nossa, desde que, ordenadamente, saibamos participar na vida e
construir as nossas defesas contra o imprevisível! «Os homens farão bem em não desistir nunca!» – disse alguém.
A nossa Paz, assim conquistada pelo despertar da vontade de vencer e dum querer que afinal nos é intrínseco mas que a dureza dos acontecimentos obliterou, será um bom pensamento para este Natal, de tão profundas tradições, e em que há-de ser vivo o mesmo calor fraternal de antigamente!
É Natal! É tempo de Paz; tempo propício para alcançar a verdadeira Paz; a Paz que todos procuram mas tão poucos a alcançarão se não soubermos aclamar a tal Arte da Vontade!
Que o próximo ano seja o Natal que esteja presente, todos os dias, no pensamento e no coração de todos nós!
FELIZ NATAL e PRÓSPERO ANO NOVO
Alvarinho Sampaio, 08 de Dezembro de 2008
Adorei o termo “Arte da Vontade”. Vossa definição desse estado é belíssimo.
Parabéns,
Édina