É INFINITO O NÚMERO DE TOLOS
HÁ homens que vistos à luz da sua vaidade parecem colossos. Contudo, quando analisados de perto, à luz forte e crua da realidade, nem a vista mais penetrante os pode enxergar. Quem o disse, mais ou menos por estas palavras, foi o grande tribuno José Estevão Coelho de Magalhães. Isto foi verdade ontem, é verdade hoje e será verdade amanhã, enquanto houver homens que se julgam mais importantes do que os outros.
Muitas pessoas, pelo simples facto de se considerarem importantes, às vezes de importância com bem reduzido mérito próprio, julgam-se intangíveis e passeiam pelas ruas, enfoladas de vento, como o tal reizinho da fábula bem conhecida e por tantas vezes contada. Mas se da trapeira obscura – a tal classe dos observadores simplórios e atentos –, se ergue a voz cristalina e ingénua de alguém que aponta o dedo e proclama: «O rei vai nu!», então é o fim!… Aquelas tais pessoas muito importantes – até ali tão direitinhas e hieráticas como anjos de procissão –, perdem a compostura e tropeçam na própria sombra. Em muitos casos estatelam-se para não se levantarem mais. Morrem de ridículo!…
Alguns desses senhores importantes – tais sicofantas devoradores dos justos e humildes e até mesmo das boas vontades –, para além de se pavonearem pelas ruas do nosso burgo e pelos corredores da vaidade e da maldicência, também têm arautos que se encarregam de propagandear a sua importância; os precursores que lhes aplanam o caminho; os arrebiqueiros difusos que anunciam a refulgência do Astro. Vêm à ribalta recitar o elogio, o panegírico, o encómio a favor daqueles que os vão compensando com os favorzinhos muito bajulados. Vêm criar a atmosfera do aplauso!!!…
Mas as plateias acabam, muitas vezes, por se sentir frustradas com estas montagens de opereta ribaldeira. Então o espectáculo, até aí tão promissor, descamba numa bufonaria completa a concitar pateada grossa; os farsantes, corridos e vaiados, refugiam-se à pressa e sem glória na média luz dos camarins. Escondem-se e esperam o momemto para voltar à ribalta!…
O pior é que alguns deles ainda têm a coragem de voltar à cena e, para cúmulo dos cúmulos, são aceites por aqueles que foram ludibriados.
E… à vista de tudo isso, conclui-se que o que é preciso é desfaçatez pois, segundo a velhíssima sabedoria, já Salomão dizia: «o número de tolos é infinito» («stultorum numerus infinitus est»).
Alvarinho Sampaio, Junho de 2008
P.S. – Se entende que este artigo merece o seu comentário, sinta-se livre e à vontade para o fazer. Aliás, seja qual for a sua opinião, ela servirá para eu aprender mais e mais!…