Restauração, filantropia e… misantropia!
Ossos sem carne, dissecados, chocalham na extensão da planície; ossos que, pela profecia de Deus, voltaram a ser revestidos de carne e tiveram o sopro da vida para que revivessem. São palavras como estas que descrevem, no livro de Ezequiel (cap. 37:1-14), a «visão dos ossos» que deu início à restauração de Israel!…
Seremos nós, os portugueses, tão abençoados comos os judeus, ao ponto de se repetir essa profecia? Não me parece que assim seja. O povo está demasiadamente afastado das coisas espirituais e da realidade que o cerca e, cada vez mais, se deixa embeber pelas coisas do mundo e por mais aquelas que lhes querem impingir!.
Por isso, objectar a restauração material será, com certeza, ir de encontro às altas muralhas de interesses. Será quebrar a cadeia das coisas mais necessárias àqueles que vão engordando «sugando» a carne dos pobres que ficam cada vez mais pobres e cada vez mais esquecidos. À vista de tantos abusos, vale a pena limpar a ferrugem que, elo a elo, corrói a cadeia que emperra a máquina da restauração de Portugal – um jardim à beira-mar plantado mas onde só alguns podem desfrutar da sua riqueza e do bem-estar que a mesma proporciona.
«Os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres». Ao lermos afirmações como estas, proferidas por alguns responsáveis que nada fazem para as contrariar, compete-nos a nós – reais pagadores dos impostos que nos são impostos – receber com optimismo tudo aquilo que for arranjado pelo melhor, no melhor dos mundos possíves. E… sendo assim, quase que vale a pena esperar pela restauração prometida pelos governantes em quem a maioria dos portugueses votou!
Mas… enquanto nos mantivermos entorpecidos e passíveis de tudo e a tudo, não é possível encontrar o caminho para a tão ansiada restauração – a restauração que se encontraria num ápice, se os nossos políticos fossem mais competentes e humanos!
FILANTROPIA E…
Comemorou-se há pouco tempo o Dia Mundial da Pobreza. Foram proferidos discursos de pompa e circunstância mas, infelizmente e como habitualmente acontece, os pobres continuam a aumentar no mundo e como Portugal é parte integrante da globalização as estatísticas apontam para mais de dois milhões de portugueses a viver no limiar da pobreza. Para se poder alcançar o bem-estar para todos os pobres e para a maioria dos idosos que vivem com pensões de miséria, bastava que todos os ricos deste país seguissem o exemplo dado por um digníssimo empresário de Santarém que construiu e pôs à disposição dos seus funcionários e do concelho em geral, um jardim de infância, e uma escola e prepara-se para fazer mais obras para os seus conterrâneos. Também os políticos – ufanos dos carros «top of range» que conduzem e das muitas e dispendiosas viagens que fazem – deviam seguir também o exemplo daqueles médicos, de um hospital do Porto, que se recusaram a receber carros de luxo que a lei – feita para os previlegiados – lhes permite. Porém, em vez disso, decidiram que o valor dos carros fosse investido na aquisição de aparelhos hospitalares. Aparelhos esses que, no entender desses médicos, são mais necessários ao serviço dos doentes na unidade hospitalar onde prestam serviço. É assim, em gente como esta, que assenta a desejada restauração sócio-económica do nosso querido Portugal!
…MISANTROPIA
Assim como a economia portuguesa assenta num reduzido número de cerca de cem pessoas, a restauração económica de Portugal também assenta nos políticos, principalmente naqueles que recebem acumulações de pensões, de ordenados e de subsídios chorudos que incidem sobre tudo e em tudo. Por isso, se a atribuição desse acumular de mordomias fosse melhor distribuída nem só um dedo se ergueria em protesto e tudo andaria bem!
Porém, o que começa a ver-se por todo o país, não são os dedos mas sim, as mãos esqueléticas que se erguem e as bocas famintas que «falam» e protestam contra o fosso que existe entre a riqueza e a pobreza – a classe média já passou a ser uma miragem na sociedade portuguesa –; mãos que gesticulam e bocas que se abrem em protesto contra aqueles que se deleitam a atarantar os seus irmãos e, pior ainda, a querer torná-los calados, mais fechados, mais estropiados na sua vontade e mais afundados no seu já fundo abismo!…
Contudo, os misantropos, os tais felizes estragadores da restauração económia – os governantes dizem que a economia está sempre a crescer, mas todos sentimos o ferroto da sua descida – medram no convencimento de que essa estragação está incluída nos manuais da governação. Mas… não é assim!…
Eles (e quem os autoriza a estragar), têm de ser informados claramente que a popular indignação existe. Têm de ficar a saber que o povo ainda não está morto apesar de, aos poucos e poucos, ficar sem carne sobre os ossos. Têm de ficar a saber que o povo não é a tal gentalha deseducada mas sim gente honesta e humilde que não renega a nobreza dos seus sentimentos nem o orgulho de ser português!!…
E, se já em tempos passados conseguimos alcançar a restauração e renascer das cinzas e sermos – com a graça de Deus – cobertos de carne e bafejados pelo sopro da vida, não é agora que nos vamos deixar amedrontar pelos abutres que sobrevoam sobre nós. Não nos vamos deixar «enterrar» nem pelos misantropos da sociedade, nem pelos «coveiros» que pretendem, como já sucedeu num passado recente, enterrar Portugal e esquecer a sua gloriosa História!…
Alvarinho Sampaio, Janeiro de 2008
P.S. – Se entende que este artigo merece o seu comentário, sinta-se livre e à vontade para o fazer. Aliás, seja qual for a sua opinião, ela servirá para eu aprender mais e mais!…
infelizmente é o que temos, uma corja de políticos desavergonhados !!!
já não há políticos sérios