EVOCANDO . . .
FRANCISCO DE SÁ CARNEIRO
Dezembro, 1980. Vinte e seis anos passados e os portugueses continuam a recordar esse trágico dia. Portugal vestiu-se de luto e chorou a morte de um dos seus filhos ilustres – Francisco de Sá Carneiro, ex-Primeiro Ministro de Portugal.
Ergueram-se as vozes nas ruas, nos cafés e restaurantes e em todos os espaços onde se reuniam os portugueses. Foi assim em Pretória, onde então eu residia e onde os portugueses choraram a morte desse grande português. Sim, porque os emigrantes também choram, sofrem e sentem os problemas de Portugal!…
Francisco Manuel Lumbrales de Sá Carneiro nasceu no Porto no dia 19 de Julho de 1934 e faleceu tragicamente num acidente «misterioso» de aviação, ocorrido em Camarate, Lisboa, no dia 4 de Dezembro de 1980. Contava 46 anos de idade – onze dos quais dedicados à actividade política iniciada muito antes da
«revolução dos cravos», no dia 25 de Abril de 1974. Isso fez dele um homem amado pelos portugueses e até idolotrado pelos militantes do PPD/PSD como se constata em todos os momentos de exaltação social-democrata.
Francisco de Sá Carneiro não precisou da «revolução de Abril» para se impor na sociedade e na política portuguesa. Já em 1969 havia sido eleito deputado independente e, na Assembleia da República integrou a denominada «ala liberal». Porém, renunciou ao mandato em 1973 para regressar à ribalta política logo após o 25 de Abril de 1974, como membro-fundador do PPD (Partido Popular Democrático) e para assumir a sua presidência. Era, então, Ministro sem Pasta do Primeiro Governo Provisório.
O seu carisma e o seu prestígio político não só fizeram de Sá Carneiro uma das fi-guras míticas na história política portuguesa, como também serviram de forte alavanca para a consolidação da democracia em Portugal no período por demais conturbado que se seguiu ao 25 de Abril de 1974.
Francisco de Sá Carneiro, na qualidade de presidente do P.P.D. fundou, juntamente com Freitas do Amaral (C.D.S.) e Gonçalo Ribeiro Teles (P.P.M.), a A.D. (Aliança Democrática) no intuito de «frear» as rédeas que a esquerda tomava na governação de Portugal e na vida dos portugueses, sem esquecer também as prioridades, tão bem definidas neste seu lema: «acima da Social-Democracia está a Democracia e acima da Democracia, está Portugal».
Em 1979, liderando uma equipa constituída por homens conhecedores dos problemas relativos à sociedade portuguesa, Francisco de Sá Carneiro conduziu a A.D. à vitória nas eleições intercalares vencendo, no ano seguinte, com maioria absoluta.
Então, como Primeiro-Ministro, começou a lançar reformas de cariz liberal para inflectir o rumo socialista «imposto» desde 1974.
Os seus discursos directos – de linguagem acessível aos mais simples – empolgavam os portugueses e a todos prendiam a atenção mesmo a dos seus adversários políticos que muito aprenderam com este Homem do Norte – do norte que está a ser votado ao abandono pelos políticos de Lisboa que se vão aproveitando do inexplicável marasmo das gentes nortenhas e do beneplácito dos políticos do norte.
Francisco de Sá Carneiro não se acomodou na cadeira do poder. Queria mais. Não para si, mas para Portugal – para os portugueses! Por isso, em 1980, apostou fortemente na candidatura do general Soares Carneiro para a Presidência da República. Mau grado seu. Alguns políticos, movidos pelo fanatismo ou pela inveja da figura carismática do líder da AD, não perderam tempo – era mais fácil eliminar o inimigo do que sentir a derrota que já se adivinhava.
Tudo teria sido «organizado»!… O avião que deveria levar Sá Carneiro e o Ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa, até ao Porto para participar no comício de encerramento da campanha, despenhou-se pouco depois de descolar do aeroporto de Lisboa. O Primeiro-Ministro, Francisco de Sá Carneiro, Amaro da Costa e outros, pereceram no acidente em circunstâncias que ainda não estão devidamente esclarecidas – e já lá vão vinte e sete anos!…
A morte trágica e o carisma político do fundador do PPD, assim como o facto de ter conseguido levar a direita ao poder, pela primeira vez desde a «revoluçao dos cravos», transformaram Sá Carneiro numa figura mítica e idolatrada do PPD/PSD e dos portugueses – daqueles Portugueses que apreciam a frontalidade e a coragem!…
Mas, para além do carisma político que Sá Carneiro legou aos sociais-democratas, o homem-escritor também deixou nos escaparates das livrarias, para todos os portugueses, os livros: «Uma Tentativa de Participação Política», «Por uma Social-Democracia» e «Uma Constituição para os Anos 80», entre outros.
Por último – muito mais haveria para dizer sobre este Português Ilustre – fica aqui expressa uma certeza entre tantas incertezas que continuam a confundir a inteligência e a mentalidade dos portugueses: Francisco de Sá Carneiro morreu mas quem são, afinal, os culpados pela sua morte?
Os portuguese merecem conhecer a verdade!…
Portugal perdeu um grande homem, um grande político e os portugueses continuam a chorar a sua morte e à procura de um líder que possa recolocar o PPD/PSD e o nosso amado Portugal no pedestal a que tem direito e de onde, para mal de todos nós, foi derrubado!
ALVARINHO SAMPAIO, Dezembro de 2007
P.S. – Se entende que este artigo merece o seu comentário, sinta-se livre e à vontade para o fazer. Aliás, seja qual for a sua opinião, ela servirá para eu aprender mais e mais!…
Há milhares e milhares que recordam Sá Carneiro. Há centenas dentro do PSD a tentar reconduzir o Partido, contra os barões e interesses instalados. Precisamos do PSD de matriz social-democrata, preocupado com os pobres, actuante, interventivo e, sobretudo, acutilante, como foi Sá Carneiro. É necessário romper as “amarras” da tirania capitalista. Derrubado o comunismo, é necessário destruir o capitalismo e criar um Estado Humanista.